quarta-feira, 10 de março de 2010

A ABC está pesquisando e cadastrando quantidade de moradores de rua


A organização não-governamental ABC, que desenvolve trabalhos sociais em Boa Vista, vai realizar uma pesquisa censitária para diagnosticar a quantidade de moradores de rua na cidade. Segundo o presidente Jackson Lopes da Silva, informações colhidas ao logos dos últimos dois meses por membros da entidade apontam para uma população estimada em mais de 200 moradores de rua, entre eles deficientes mentais e pessoas envolvidas com alcoolismo, além de vítimas da exclusão familiar.

Com os números em mãos, a ONG ABC pretende traçar um plano de assistencialismo que será entregue ao governador José de Anchieta Júnior (PSDB) para que medidas urgentes sejam tomadas com o intuito de reintegrar esses indivíduos à sociedade.

Os trabalhos para contabilizar os moradores de rua vão começar amanhã, com previsão de término para o dia 3 de março. Durante o processo de levantamento dos números, a equipe da ONG ABC estará acompanhada de representantes do Ministério Público Estadual (MPE), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Conselho de Assistência Social do Município. Serão percorridos diversos pontos da cidade, porém o foco da pesquisa estará concentrado no trevo da praça Simón Bolívar - saída para Manaus, Centro Cívico e o cruzamentos da avenida Ataíde Teive com a avenida Venezuela.

Após a conclusão dos trabalhos, a organização vai confeccionar um relatório e encaminhar ao Governo de Roraima e ao MPE, para que o órgão também possa cobrar da administração pública uma solução para o caso. “Vamos tentar reintegrar essas pessoas na sociedade. Isso faz parte da missão de cada um de nós. Se o Estado está omisso, vamos cobrar dele as soluções que precisamos”, comentou Jackson Lopes.

Indignado com a situação de descaso promovida pelos governantes para com os moradores de rua, o presidente da ONG ABC lembrou que a Constituição Federal garante, no artigo de número 223, que a assistência social será prestada a quem dela necessitar, independente de contribuição social. “Incluem se aí a promoção da integração ao mercado de trabalho, a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária. Os recursos para estes fins são provenientes de recursos do orçamento da União, dos estados e municípios”, comentou.

Jackson lembrou ainda que muitos moradores de rua sofrem rejeição quando procuram atendimento no serviço público de saúde. “Essa é outra ação discriminatória que precisamos combater. Todos nós somos iguais perante a lei, não há por que haver distinção quando a cor, nível social ou quaisquer outras situações”, disse.

Com a apresentação do diagnóstico dos excluídos da sociedade, a organização não-governamental ABC pretende solicitar ao Governo de Roraima a construção de uma casa para abrigar os moradores de rua, prestar a assistência social que precisarem, assim como a alimentação e a promoção de reinclusão social.

Nenhum comentário:

Postar um comentário